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Eu e seis irmãos, nascemos de Tsuneshi Sano e Fussako Ogura Sano (casamento que se deu conforme descrevi na crônica “Omiai”, nesta seção), educados dentro do conceito da maioria dos imigrantes japoneses no Brasil de que os filhos devessem estudar como forma para o enfrentamento da vida profissional futura. Todos chegaram à universidade. Por isso, nossos pais, que já se foram, sabiam que tinham cumprido suas missões. E essa também foi a impressão que nos deixaram. Daí porque sempre nos lembramos, no nosso dia-a-dia, de suas posturas singulares, sim, mas sempre sábias. Por exemplo, meu pai, que também foi corretor de imóveis, sempre nos dizia para não comprarmos nada nas partes baixas de qualquer via. Isso parece óbvio, agora... mas, às vezes nos distraímos nesse aspecto. Né, não? Minha mãe era taxativa: “não preciso seguir nenhuma religião, se não cometer nada que seja pecado!” Alguém se arriscaria a contestá-la?
Mas, gostaria de me ater à história do meu lado paterno, que chegou ao Brasil em 17 de julho de 1918, a bordo do vapor Wakasa Maru, cujo chefe de família era o meu avô, Tsuneichi. Como o meu pai, que era o mais velho dos filhos, tinha apenas 7 anos, o meu avô convidou seu irmão mais novo, o tio Yoshimi, para acompanhá-lo, a fim de que pudesse cumprir a exigência das leis de imigração, na época, de que, ao menos 3 membros da família devessem ter condições de trabalho (12 anos era a idade mínima) para vir ao Brasil. E na vinda, pouco antes de chegarem ao porto de Santos, ainda dentro do navio, a caçula, ainda bebê, veio a falecer. Como sabiam sobre o costume de se jogar ao mar os falecidos durante a viagem, fizeram de tudo para esconder o corpinho dela. E o conseguiram, vindo a enterrá-la em terras brasileiras (mais precisamente em uma fazenda chamada Santa Olímpia, perto de Ribeirão Preto). Morreu Tamao, mas, quando nasceu outra menina, e única, esta recebeu o nome de Tamae (85)... ainda vivíssima!
E falando sobre nomes, minha irmã, Midori, que já esteve à frente de uma das coordenadorias da Secretaria da Educação no Estado de São Paulo, quando bolsista no Japão, ao tentar montar nossa árvore genealógica, descobriu que o nosso sobrenome original era outro, conseqüência de uma tradição japonesa em que uma família sem filhos homens, para manter sua linhagem, oferece um bom dote ao futuro membro com a condição da troca de sobrenomes. Ou seja, o nosso tataravô, na condição de “yooshi” (adotivo), veio da família dos Katayama!!
E para finalizar, não poderia esquecer de minha própria família, a começar por minha “deusa” Kazue, companheira de todos os momentos (e que momentos!) e do filho Tadashi, cujas “idas e vindas”, no fim, acabaram produzindo bons frutos, que colhe agora.
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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil