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Há muito tempo que tenho comigo uma foto antiga e curiosa, da época que ainda morava em Fernandópolis. De cinqüenta anos atrás! Nela estavam meus pais, alguns irmãos e quatro monges budistas. No verso, com a letra de meu pai, constavam os nomes dos membros da família e, curiosamente, de um dos monges, de forma estranha: “príncipe” (!?). Resolvi investigar. Comecei por perguntar aos parentes mais idosos e, bem como, a amigos, também de idades mais avançadas do que eu. E foi difícil tirar essa dúvida, no começo. Acabei ficando não apenas curioso, mas também ansioso em inserir a mesma neste site. Ao mesmo tempo, não queria correr o risco de cometer algum erro grotesco, ou até ingênuo, de tão empolgado que ficara. Até porque meu pai também escrevera: “Foto em 9-8-58”. Exatamente... 1958! No ano em que o príncipe Mikasa no Miya esteve no Brasil para as comemorações do 50º Centenário da Imigração Japonesa no Brasil! “Será...?”, pensei eu... ingenuamente. “O que o príncipe teria ido fazer em minha casa? E, ainda mais em Fernandópolis, a 550 km de São Paulo?”, continuei... ingênuo. Sim, ingênuo porque em agosto ele não estava mais no país, já que as comemorações foram em junho. Além disso, das imagens que achei do príncipe, nenhuma mostrava alguma semelhança entre os dois. Um dos amigos a quem tinha consultado, me fez “cair na real”: “Olhe a roupa deles! Ele tem até uma espécie de terço na mão!”. É, não era mesmo ele, tive de admitir. Então, lembrei-me da cunhada Mutsuko, japonesa, com quem também comentei o fato. E ela contou-me que a família imperial tinha, realmente, um vínculo de parentesco com a seita budista Honganji, mais precisamente com a Nishi (Oeste) após a cisão, ou o desmembramento. Foi quando, pela primeira vez, ouvi o sobrenome Otani.
Fui à Internet, mas não conseguia uma luz apenas por esse sobrenome. Estava quase desistindo, quando, em um álbum da família, de posse de meu “oniisan” (irmão mais velho), que agora também faz parte deste site, vi a mesma foto, além de outra apenas com o monge principal... e uma assinatura: “Kosho K Otani”! Busquei correndo a Internet, mais uma vez. Agora, ficou mais fácil. Descobri que ele se tornara a figura mais importante na hierarquia daquela seita budista, conhecido no mundo inteiro, e que falecera em 2002. Uau! Então o Lord Abbot Kosho Otani, como era chamado, esteve em minha casa, 50 anos atrás!!
Mas... e por quê? Por que ele teria ido até a minha longínqua Fernandópolis, ainda mais naquela época... e, ainda mais em minha casa?! Ninguém soube explicar. Minha tia Noêmia, de lá, até tentou. Mas recém casada com o tio Paulo e que mal acabara de se mudar para aquela cidade, naquela época, não soube precisar, mas contou-me que, ao menos, para a inauguração de um jardim japonês na praça central da cidade ele fora para lá. Tá! Mas, por que ficou em minha casa? Isso eu precisava saber para justificar a inserção da foto neste site. É certo que o meu pai fora o fundador do kaikan da cidade e bastante respeitado não apenas dentro da comunidade... Mas, isso não bastava. Quantos outros fundadores de kaikans não existiam no Estado de São Paulo e em cidades com presença da comunidade japonesa de forma muito mais marcante?
Não me dei por satisfeito. Por isso, achava que não poderia inserir a foto ainda. Assim, fui deixando, quase desistindo, conformado. E olha que estou neste site desde 07/11/2007! Até ler o recente relato de meu irmão, Jorge Tsuneharu (www.japao100.abril.com.br/perfil/711/, de 07/06/2008) neste site sobre o meu avô Kanetaro Ogura, lado materno. Eureka!
Ora, se o nosso odiitchan Kanetaro tinha parentesco com a ex-imperatriz Nagako, logo o monge Kosho Otani deve ter ido até Fernandópolis... PELA MINHA MÃE (que era a primogênita de Kanetaro) e não pelo meu pai! Mas, em sendo assim, então, ele deveria ter passado, antes, por São José do Rio Preto para ver o meu odiitchan, o patriarca Ogura no Brasil! Daí é que "as coisas começam a se encaixar". Pelo relato de meu irmão, 1958 coincidia com o período em que a família de odiitchan iniciava o seu declínio econômico. Uma ironia do destino, uma injustiça! Sem querer ser ingênuo de novo, e tampouco pretensioso, suponho pois que, envergonhado de sua atual situação, odiitchan teria direcionado a comitiva do monge Otani para Fernandópolis, onde se encontrava minha mãe, sua parente mais próxima, portanto. Daí, a confusão de meu próprio pai que escreveu “príncipe”, em português, em vez de “monge budista”, no verso da foto, porque entendia o vínculo, mas sem um bom domínio da língua portuguesa, na época, escreveu o que sabia, que para ele estava claro.
De qualquer forma, por tudo isso, considero que não tenho mais dúvidas sobre a razão da presença dele em minha casa, além da consagração de que, até eu, quem diria, tenho “sangue azul” (rsrs). E mesmo que, mais uma vez tenha sido ingênuo, além de outra vez pretensioso... agora, não me importo mais. Até passarei a usar o brasão Ogura, a partir de agora, como forma de identifidade.
PS: Mas, lógico que estou aberto a correções nesta história de conclusões apenas minhas... até prova em contrário (rsrs).
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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil